Por que a SELIC não caiu?

CDSNo dia 16/05 esperava-se uma nova redução na Selic Meta ao fim da reunião do COPOM, porém isso não ocorreu e a taxa básica de juros da nossa economia foi mantida em 6,5% a.a., não devendo ocorrer novas quedas.

Mas qual o motivo dessa não redução?

Primeiramente, é importante lembrar que essa expectativa foi criada pelo próprio COPOM, no comunicado da reunião anterior (21/03), onde o comitê do Banco Central anunciou a possibilidade de uma nova redução, de 0,25 p.p., que seria a última desse ciclo de reduções. Essa atitude, contudo, estava condicionada à avaliação de uma série de fatores, incluindo a conjuntura econômica externa.

Vamos ver o que mudou de lá pra cá:

  1. O cenário externo (economia global) está menos favorável do que estava em março, diminuindo a alocação de recursos dos investidores internacionais nos mercados emergentes como o nosso;
  2. Dada a grande possibilidade de mais 3 aumentos na taxa de juros dos Estados Unidos, a diferença entre a nossa taxa de juros e a deles (chamado “diferencial de juros”) estaria muito pequena, o que torna os investimentos em nossa economia (considerada como de alto risco) menos atraentes;
  3. O dólar valorizou-se muito nesse período (também em função do item 2), o que gera pressão no aumento de preços (inflação) em razão dos produtos importados, que ficam mais caros, e dos exportados, que tem maior incentivo para vender para o exterior. Como o movimento da inflação era um dos principais motivos para as reduções de juros, houve menor apelo para tais alterações;
  4. O Banco Central divulgou ações como a diminuição dos depósitos compulsórios, medida que busca estimular o crédito e reduzir seu custo;
  5. Dada a dinâmica desse mercado, as últimas reduções de juros ainda não tiveram todo o seu impacto observado na nossa economia. Uma redução mal executada poderia trazer consequências ruins, como uma inflação muito alta no médio prazo, gerando a necessidade de antecipar e intensificar um eventual aumento na Selic Meta.
  6. As pesquisas eleitorais divulgadas recentemente não estão agradando o mercado, o que potencializa negativamente os efeitos do cenário externo.

Como essa seria a última redução de juros programada, mesmo não tendo ocorrido, o Banco Central informou que está encerrado o ciclo de quedas na taxa de juros (até que o cenário mude novamente).

Vale lembrar que o patamar atual da Selic é o mais baixo da história. Para saber mais sobre o impacto desse cenário na economia, clique aqui.

Fique ligado(a) no Consultor Bancário e até a próxima!

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