Não olhe para o retrovisor

RetrovisorAdmita, na hora de fazer um investimento, você olha o histórico de rentabilidade. Quem nunca?

Hoje vamos explorar um pouco mais esse erro, cometido inclusive por investidores experientes e que ignora um dos mandamentos do mercado financeiro: “Rentabilidade passada não é garantia de rentabilidade futura”?

Mas porque insistimos nessa prática? Isso ocorre porque precisamos de referências na hora de tomarmos uma decisão. O futuro é incerto e acabamos nos apegando ao histórico para termos uma ideia do que virá pela frente.

Vamos ver alguns “incentivos” para tirarmos o olho do retrovisor na hora de investirmos:

1) Lembra de quando falamos do livro “Quando os gênios falham“? O que levou a Long Term Capital Management à falência foi uma técnica que considerava que os ativos sempre seguiriam um padrão baseado no seu histórico. Essa técnica, chamada de fórmula Black and Scholes, ainda é válida e muito utilizada, mas possui, como crítica, o fato de considerar que a variação de determinados preços no passado vai se repetir no futuro;

2) O cenário econômico brasileiro é outro excelente exemplo: vamos considerar a meta Selic, estabelecida pelo Banco Central e que baliza os juros no Brasil. Em 2003, essa taxa chegou a 26,5% a.a. Dez anos depois, chegou a ser de 7,25% a.a., em seguida subindo até 14,25%, até que  começou a cair há 3 anos. Atualmente, está em seu menor patamar da história (5% a.a.). Quando olhamos a rentabilidade histórica dos investimentos pós fixados, ela está contaminada por essas mudanças bruscas e pode dar a impressão (errada) de que teremos um rendimento futuro maior do que a realidade. Vamos ser práticos: um investimento que renda 100% do DI, pagou nos últimos 12 meses, 6,18% de rendimento acumulado. Projeta-se que pague, nos próximos 12 meses, algo em torno de 4,3%.

3) Não é só o Brasil, o mundo em constante mudança. A tecnologia vem se desenvolvendo de forma exponencial, mudando as relações de consumo e trabalho e afetando diretamente a economia. Há cada vez menos espaço para o “foi sempre assim”.

Obviamente não podemos ignorar o passado. É importante saber o que já aconteceu para que possamos entender onde estamos e o que nos trouxe até aqui. Mas manter a mente aberta e buscar analisar as informações disponíveis, projetando o futuro é essencial para tomarmos boas decisões financeiras.

Até a próxima!

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