Entenda o comunicado do Banco Central sobre a SELIC

Juros2No último dia 21/03, o Comitê de Política Monetária (COPOM) do Banco Central divulgou a nova SELIC Meta, de 6,5% a.a., um corte de 0,25 pontos percentuais em relação à Meta anterior, de 6,75% a.a. A decisão foi unânime.

Até então, tudo estava dentro do esperado pelo mercado, que considerava essa a última redução de juros nesse ciclo. A mudança veio com a divulgação do comunicado do Banco Central (comum após a término da reunião), que indicou que, considerando a situação atual, deve fazer um novo corte, de 0,25 p.p. na próxima reunião, em Maio/2018. No texto consta o seguinte parágrafo:

Para a próxima reunião, o Comitê vê, neste momento, como apropriada uma flexibilização monetária moderada adicional. O Comitê julga que este estímulo adicional mitiga o risco de postergação da convergência da inflação rumo às metas. Essa visão para a próxima reunião pode se alterar e levar à interrupção do processo de flexibilização monetária, no caso dessa mitigação se mostrar desnecessária. Para reuniões além da próxima, salvo mudanças adicionais relevantes no cenário básico e no balanço de riscos para a inflação, o Comitê vê como adequada a interrupção do processo de flexibilização monetária, visando avaliar os próximos passos, tendo em vista o horizonte relevante naquele momento. ”

É importante traduzirmos e interpretarmos os trechos destacados:

1) Para a próxima reunião, o Comitê vê, neste momento, como apropriada uma flexibilização monetária moderada adicional: Ao dizer que o COPOM entende como apropriada uma flexibilidade monetária adicional, fica evidente o entendimento de que deve ocorrer uma nova redução de juros na próxima reunião, que ocorrerá em Maio. A expressão “moderada” indica que o corte nos juros será mínimo, de 0,25 p.p.

2) O Comitê julga que este estímulo adicional mitiga o risco de postergação da convergência da inflação rumo às metas: O Brasil (e a maioria dos países do mundo) possuem um sistema de metas de inflação, com valores mínimos e máximos. Assim como não é interessante ultrapassar o teto desse indicador, como aconteceu em 2015, também deve ser respeitado o piso da inflação, o que não ocorreu em 2017. A fraca atividade econômica desse início de ano, medida por diversos indicadores, bem como a constante divulgação de indicadores oficiais de inflação abaixo do esperado pelo mercado e pelo governo indicam que a inflação medida pelo IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) deve ficar abaixo do piso da meta (3% no ano). Com isso, o Banco Central já considera que será necessário estimular a atividade econômica com uma nova queda nos juros básicos da economia.

3) Para reuniões além da próxima, salvo mudanças adicionais relevantes no cenário básico e no balanço de riscos para a inflação, o Comitê vê como adequada a interrupção do processo de flexibilização monetária: Esse trecho sinaliza que, após o novo corte previsto, deverá ser efetivamente encerrado o ciclo de quedas nos juros, considerando-se que o cenário econômico permaneça sem alterações relevantes.

Um fato importante é o de que o Federal Reserve, Banco Central dos Estados Unidos, aumentou os juros básicos da economia norte-americana (fed funds) em 0,25 p.p. no mesmo dia 21/03, para um intervalo entre 1,5 e 1,75% a.a. Esse seria um fator de risco para a redução nos juros brasileiros para manutenção dos investidores estrangeiros. Ocorre que os investidores estrangeiros estão com “bastante dinheiro sobrando”, o que diminui o risco de migração dos recursos para a economia dos EUA, como ocorreu em outros momentos.

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Até a próxima!

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