Como a SELIC afeta a economia?

como-calcular-jurosUm dos principais motivos de uma política econômica é o de gerar crescimento sem perda de valor de compra da moeda (inflação e desvalorização cambial).

Atualmente, o principal instrumento de controle da inflação no Brasil é a taxa de juros (SELIC), que foi abordada em uma das primeiras postagens do blog.

Acontece que a alta taxa de juros traz um problema: inibe o crescimento da economia. Sabe porque? Esse é o nosso tema hoje.

A forma mais segura de termos crescimento econômico sustentável, com baixa inflação, é através de investimento em infraestrutura (estradas, portos, aeroportos e ferrovias) e aumento de capacidade produtiva das empresas (novas tecnologias, novas fábricas, entre outros). Esse tipo de investimento tem três efeitos principais na economia:

1) Geração de empregos
2) Diminuição dos custos de produção e transporte (serão mais eficientes)
3) Controle da inflação de demanda, pois o aumento das vendas poderá ser atendido com maior capacidade de produção

Ocorre que, para que uma empresa realize investimentos, assumindo riscos, deve ter um retorno que compense esse desembolso. Uma das técnicas de avaliação de novos projetos é a de Taxa Interna de Retorno (TIR), avaliando o “rendimento” desse investimento para compará-lo ao que receberia, por exemplo, em uma aplicação financeira (que não gera empregos, nem aumento da capacidade se produção).

Quando a taxa de juros (SELIC) está alta, menos projetos se tornam viáveis, pois eles tem que “render” mais do que a SELIC (onde o empresário não corre os riscos do negócio). Assim, a SELIC alta inibe o desenvolvimento das empresas, enquanto uma SELIC baixa, incentiva a busca por melhores retornos através de atividades produtivas.

Outro mercado que “sofre” com os altos juros é o de ações, pois, o investidor comum prefere receber um alto rendimento sem risco ao invés aplicar seu dinheiro em uma empresa, assumindo riscos.

Infelizmente, na última oportunidade que tivemos de juros baixos (SELIC de 7,25% a.a. em 2012), houve um grande incentivo ao crédito de consumo (compra de carros e eletrodomésticos e crédito pessoal), em detrimento dos investimentos, gerando nosso cenário atual, de volta da inflação e juros altos.

A saída para a nossa atual situação econômica é a de incentivar, de forma sustentável e consistente, os investimentos em transporte e capacidade produtiva, permitindo reduzir custos de produção e, consequentemente, freando o aumento de preços, retomando a geração de empregos e crescimento econômico.

Dúvidas? Fico à disposição.

Até a próxima!

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *